Isto de andar pelas terras do fim do mundo tem os seus custos, mas a paga tem sido muito boa. A paisagem, a natureza, o exotismo e autenticidade das aldeias das etnias Miao e Dong que fomos atravessando sao boa recordação que nos fica no fim de cada dia. O homem magro com um grande chapéu de bico, trabalhando nos campos de arroz ou de milho ou transportando cargas pesadas em meia cana de bambu apoiada no ombro, o búfalo de agua ruminando enquanto boia no rio, sao a visão permanente por aqui, fazendo-nos lembrar aquelas do Vietnam tão divulgadas depois da guerra que os americanos por la andaram a fazer.
Visitamos casas dos habitantes nalgumas aldeias, dando para ver a sua vida austera, quase sem mobília, sem WC e agua canalizada, mas quase todas com parabólica. Assistimos a demonstrações de danças e musicas do folclore local, com mais ou menos industrialização turística, mas sempre com muita simpatia das pessoas. Eles sao na verdade pessoas muito simpáticas, que se deixam fotografar com um sorriso, que agradecem que lhes fotografemos os filhos e em troca gostam de ver o resultado das fotos. Os miúdos sao lindíssimos e tem sido alvo de fotografias que dariam uma exposição digna de Serralves -:).
Tenho que dar um realce especial a aldeia de Zhaoxing, onde dormimos ontem. Nela vivem 1300 famílias, sendo a maior aldeia Dong da província de Guhizou, tem cinco Drum Tower, representativas de outros tantos clãs, junto das quais esta sempre uma Ponte da Chuva e do Vento, dentro das quais se juntam os homens no seu tempo de lazer, jogando cartas e outros jogos com pedras, conversando ou somente olhando quem passa. A grande noticia e que as mulheres não podem utilizar este espaço: ficam em casa a trabalhar e a cuidar dos filhos. Passeámos pela aldeia, que e muito bonita, tem muita vida, esta muito viva, com casa antigas em reconstrução, e já tem alguns toques da presença de ocidentais. Ate tomamos um café de balão que nos soube pela vida, depois de alguns dias de jejum. A noite o hotel ofereceu-nos um espectáculo por um gripo folclóricos local constituido por jovens, que claramente estavam a fazer aquilo com prazer. E como cantam bem! Disseram-nos que o governo francês já os levou em digressão a Franca. Sem duvida serão bons em qualquer manifestação de folclore internacional.
Para terminar por hoje, so mais uma nota sobre a frequência de turistas nesta rota. Quase ninguém. Muito raramente encontramos ocidentais ou mesmo japoneses. Temos andado pelos mesmos locais e hotéis seguindo ora nós à frente ora eles com avanço com um grupo de 7 ou 8 franceses, mais outro de catalães, todos com ar e idade de intelectuais de esquerda, do Maio de 68.
Amanhã vamos ter mais um dia duro de estrada de terra e buracos, mas vermos os terraços de arroz de Longi, que serão um dos tops desta viagem. Espero que o Hotel de Guilin tenha internet de acesso público para poder escrever com mais tranquilidade. Já tenho temas em carteira: o escarro como instituição nacional, o trânsito automóvel mais louco que já vimos, etc.
Ate já.

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